Ser feliz é a arte de deixar coexistir

Olá, meninos! Olá, meninas! Olá, menines! Vamos finalizar essa trilogia com uma frase maravilhosa que eu mesma inventei (mas cujo conceito você já deve ter visto em muitos lugares): ser feliz é a arte de deixar coexistir. Eu comecei a refletir sobre isso há um tempo, assistindo a um vídeo da Cecilia Dassi (conhece o canal dela? Recomendo!). No vídeo, a Cecilia comenta o livro A Parte que Falta, do Shel Silverstein (lembra daquele livro infantil que bombou nas redes sociais e esgotou nas livrarias depois que a Jout Jout o leu, em seu canal? Então: é esse).

Esse vídeo clareou boa parte da minha escuridão a partir de uma informação valiosa que a Cecilia me deu: o lugar da falta e o lugar do preenchimento podem coexistir. Essa situação pode ser permanente e, ainda assim, tudo bem. Do contrário, corremos o risco de estar, sempre, correndo atrás do que falta e isso pode nos roubar as condições e os momentos de sermos felizes, hoje. Ao mesmo tempo que falta alguma coisa (e precisamos ser fortes para lidar com isso) outras partes estão sendo preenchidas.

Há beleza nisso: a falta é necessária. Ela nos faz aprender. Ela nos faz evoluir. Ela nos faz sensíveis o suficiente para estarmos prontos para ouvir. Ouvir Deus. Ouvir o universo. Ouvir a nós. Ela nos prepara para as descobertas das quais necessitamos. Por isso, ela precisa existir. Essa informação me deu uma certa paz mas, ao pensar sobre isso, eu relacionava com coisas ou com pessoas. Lindo mesmo, foi quando comecei a pensar nisso como um estado de ser.

Você pode ficar triste. Você tem esse direito. Mas você não é essa tristeza. Você, também, é a alegria de poder fazer o que gosta. Você pode ficar frustrado. Mas você não é frustração. Você, também, é todas as conquistas que já teve, na vida. Você pode ficar com raiva. Mas você não é essa raiva. Você, também, é a paz de chegar no seu lugar favorito e poder descansar. Consegue perceber a grandeza disso? Não precisamos correr como desvairados atrás de resolver o que é dor. A dor pode ter o seu lugar. Ela pode conviver com o que é alegria, paz, felicidade, satisfação. Está tudo bem. Ela existe por alguma razão. Ela tem um tempo certo para sair, para se resolver. Você não é dor. Você é (e deve ser) o seu próprio suporte, o seu próprio amor (ou amor próprio), o seu próprio cuidado, a sua própria satisfação, admiração. Você pode dar conta de si.

Ao ter plena consciência disso, ao viver isso, nada que venha de fora de você vai poder te derrubar. Você pode, até, envergar, mas não vai quebrar, como escreveu Lenine. Porque você terá o máximo de conhecimento possível a seu próprio respeito e isso vai te facilitar a cuidar e a proteger a si. Você poderá sentir a energia de quem está olhando troncho ou, até mesmo, de quem não gostaria de te ver nessa sintonia. Mas como você estará focado em si, nada que não se encontre dentro de si terá força para te atingir (mentalizar uma luz branca protetora ao seu redor, também, é bom e não custa nada. Funciona, viu?).

É isso amados. Que os vossos corações sejam seus guias.

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