Um olhar sobre Meu Passado Me Condena 2

Adoro o período da manhã. Tem cheiro de recomeço. Creio que é o período em que meu rendimento chega a mil por cento. Geralmente, gosto de acordar, tomar café e descansar um pouco assistindo alguma coisa, antes de pegar no batente. A série da vez é Grey’s Anatomy (série original da American Broadcasting Company que possui quatorze temporadas, escrita por Shonda Rhimes, Krista Vernoff, Peter Nowalk, Stace MCkee, Joan Rater, Zoanne Clack, Debora Cahn, James Parriot e Mimi Schmir, disponível na Netflix. Estou no início da nona temporada). Contudo, houve uma manhã em que fiz diferente (por puro acaso do destino). Liguei a TV enquanto comia meus pães assados e tomava meu leite com achocolatado. É comum precisar esperar alguns minutos antes de acessar a Netflix na TV, foi o que fiz. Estava no canal Megapix quando começou o filme Meu Passado me Condena 2 (lançamento de 2015, direção de Júlia Rezende). É tão raro eu ligar um canal no início de um filme, não costumo memorizar horário de nada na TV (fora os horários da Globo que são fixos, né?). Pensei: mas eu já assisti esse filme, passou na Tela Quente um dia desses, já matei minha curiosidade. Mas, como peguei ele pela metade, na época, vou só assistir até a parte em que comecei, lá atrás.

Quando vi o Ricardo Pereira, percebi que eu nunca havia assistido o volume dois do filme, e sim o três. Fiquei na dúvida cruel de continuar acompanhando a vida de Meredith e terminar aquele filme. Não se trata de um filme cabeçudo como gostam de falar os intelectuais do jornalismo, mas eu sou do tipo que não define opinião até conhecer do que se trata. Sim, pode ter um enredo previsível e, até, uma comédia previsível (mesmo assim, a gente se diverte com o Fábio (Porchat). Eu queria, mesmo, me divertir com as brigas daquele casal, as belas imagens de Portugal, a comédia no velório da avó falecida, a queda da Miá Mello do cavalo, sem preconceitos ou julgamentos. Não imaginava sentir vontade de escrever sobre o filme, mas foi o que aconteceu.

“Eu tenho te pedido um dia pra a gente salvar o nosso casamento mas, agora, eu quero te pedir uma vida inteira. Vai dar errado, a gente sabe que casamento, sempre, dá errado, mas eu quero que dê errado com você”.

Queridos, foi assim que acabou o filme. Foi essa a última fala do Fábio na estação de trem enquanto convencia a Miá a não voltar para o Brasil sem ele. Por uma razão que desconheço, essa frase me marcou, de modo que a decorei e fiquei refletindo sobre ela enquanto varria a casa, antes de ir trabalhar. No dia anterior a assistir esse filme, (que curioso!), eu estava refletindo sobre o amor. Estava considerando a importância de se reconhecer em alguém, ter respeito e respeitar, ter o cuidado de alguém e cuidar, ser tratado e tratar por igual, ouvir e ter os ouvidos de alguém. Aquela frase ficou na minha cabeça e eu não sabia o por quê. Como pessoas opostas que ficam brigando uma com a outra, incompatíveis na forma de olhar a vida e encarar o dia a dia e as responsabilidades podem ser certas uma para a outra? Não, gente, isso é coisa de filme! Mas, depois, fiquei pensando: a Miá reclama das infantilidades do Fábio, o Fábio reclama das reclamações da Miá mas, nem por isso, eles deixam de se respeitar e de considerar o outro. Vai que é essa a ideia dos opostos? Vai que amor, realmente, não tem fórmula?

Os nossos relacionamentos (todos, não somente os românticos) são reflexos, espelhos do que existe dentro de nós. Aquilo que nos incomoda nos outros, nós o carregamos. As situações controversas são sinais, mensagens do que gostaríamos de mudar, em nós. Amar não se trata, somente, de analisar alguém ao nosso gosto. Trata-se de reconhecimento e de trabalho interior, junto com um trabalho em equipe. É complexo e é bonito. Faz parte da nossa estrada, do nosso aprendizado, do nosso crescimento.

Por isso, foi bom assistir (precisava colocar essas palavras para fora antes que elas me engolissem ou perturbassem por tempo indeterminado kkkk).

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