Minha cara, acredite, você consegue

Cara desconhecida, essas palavras vão para você que se vê vivendo a mesma história repetidas vezes e não consegue tomar uma atitude assertiva mediante a sua própria vida. Em primeiro lugar, eu quero dizer que te entendo. Mesmo. Quando a gente quer muito uma pessoa, a gente não sabe como deixar de querer. A gente não sabe como deixar pra lá alguém que a gente quer tanto do nosso lado. Diante da sua transparência e da forma verdadeira como você vivencia as relações, compreendo que, para ti, seria muito mais fácil modificar o sentimento para que o movimento do teu mundo exterior modifique, também. Mas, minha cara, eu te digo: às vezes, a gente precisa forçar a barra.

Se você sente que sofre muito mais do que sorri e se sofre por quase os mesmos motivos; se, quando está tudo bem, você sente medo de, a qualquer momento, ficar tudo mal; se você anda se desgastando com brigas e desentendimentos, ligue seu botão de alerta, algo aí não está certo. Às vezes, quando nos vemos muito mergulhadas em um sentimento ou numa situação a ponto se ter a sensação de viver, somente, aquilo no nosso cotidiano, podemos ser extremistas. Então, resolver uma questão que nos faz mal pode significar um sofrimento insuportável provocado pela dúvida de estarmos ou não fazendo a coisa certa. Não queremos nos sentir culpadas, queremos agir de maneira íntegra, não queremos dar motivos, não queremos falhar e nem magoar ninguém. Não queremos, principalmente, ir embora com dúvidas sobre o sentimento de outra pessoa por nós quando queremos, com todas as forças, ter certeza de que pode ser um sentimento bom e recíproco.

Mas, minha cara, ter dúvidas sobre os sentimentos de alguém não deve ser encarado como algo positivo. O amor se mostra, o amor se sente, o amor se vive, entende? Mas eu sei que a vontade de não estar vivendo uma dor tão forte a ponto de não querer enxergar a realidade como se mostra pode nos cegar.

Às custas de anos de sofrimento, racionalizei alguns movimentos e construí mecanismos de autoproteção que podem ser de utilidade pública. Vou te contar:

1. Quando você se sentir machucada, não tome decisão alguma. De cabeça quente, podemos ser rudes e nos perder nas cobranças, além de nos expor em um momento de fragilidade.
2. Após esfriar a cabeça, avalie as atitudes (e não as palavras) da pessoa para com você. Para isso, é necessário que você tenha certezas sobre o modo como gostaria de ser tratada.
3. Se, na sua concepção, as atitudes dessa pessoa demonstram o amor que ela tem por você, converse e exponha o que te feriu, amorosamente. Entre duas pessoas que se amam, o diálogo é peça fundamental para levar à compreensão mútua sobre seus sentimentos. Se você perceber que a pessoa não te ama, se afaste com educação e sem dar explicações (a menos que você precise terminar um namoro, noivado ou casamento). Apenas a despiste e não permita aproximações. Entenda que as pessoas não mandam em seus sentimentos e só agem da maneira como aprenderam até aquele momento de suas vidas. Ninguém pode dar o que não tem. Se não quer sentir uma dor contínua causada pela proximidade, permita-se sentir a dor de uma vez só em busca da cura com o afastamento. Se, ainda, tiver dúvidas sobre o sentimento da pessoa por você, continue sem agir. Apenas observe o movimento alheio.

Muitas vezes, podemos nos apaixonar por quem não quer a gente. Podemos ter certeza disso e, ainda assim, insistir em transformar um não em um sim. Podemos sentir dificuldades de sair daquela história porque acostumamos aquele ser humano a se alimentar do nosso sofrimento, nos permitimos ser um brinquedo, uma opção combinada com a conveniência do outro. Assim, sempre que essa pessoa nos procura ou quer chamar a nossa atenção, nos iludimos achando que ela nos retribui em sentimento, atenção, consideração. Mas não é isso. Na verdade, aquilo que não se mostra como motivo de bem-estar para o nosso coração, é puro ego, nada mais. Às vezes queremos, com todas as forças, nos apoiar em palavras que, sem atitudes, não possuem consistência. Às vezes, achamos que não vamos conseguir sobreviver longe daquilo que nos faz tão mal. Podemos cair, sempre, nos mesmos erros provocados pelas mesmas atitudes. Às vezes, não sabemos como cortar o ciclo que faz a bola de neve inchar. O segredo é se observar, se conhecer e decidir. Decida o que você quer pra você, se fortaleça em atividades, em situações e em pessoas que você sabe que te fazem bem, tenha uma vida para se amar fazendo o que ama e buscando o que sonha. Seu coração, é seu radar de alerta.

Acredite, você consegue.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s